A Alura Para Empresas é a organização que engloba as soluções corporativas da Alura — a maior escola online de tecnologia do Brasil, voltadas a empresas, órgãos governamentais e instituições educacionais.
Atualmente, reter talentos de alta performance e manter equipes engajadas são desafios críticos para o RH tech.
Esse cenário é agravado pela volatilidade das competências exigidas pela implementação da Inteligência Artificial em diversos processos, o que faz com que as pessoas esperem das empresas muito mais do que remuneração competitiva: elas buscam curadoria de carreira e relevância técnica.
Repensar essa jornada é a principal tendência apontada pela AIHR (Academy to Innovate HR) em sua análise estratégica para os próximos anos. A instituição defende que o modelo tradicional de plano de carreira está sendo substituído pelo enriquecimento de um portfólio de competências.
Segundo a análise da AIHR, o modelo de carreira linear e vitalício perdeu espaço para organizações que operam como ecossistemas de talentos. Nesse cenário, a progressão deixa de ser medida apenas por cargos e passa a ser definida pela fluidez com que as pessoas profissionais adquirem e aplicam novas habilidades.
Por essa razão, o plano de carreira tornou-se um ativo de retenção no setor tech, ao promover o engajamento por meio do desenvolvimento contínuo.
Neste artigo, falaremos sobre a definição de planejamento de carreira na área tech, como estruturá-lo com foco em habilidades, quais os novos modelos de progressão e como alinhar as expectativas individuais aos desafios de um mercado orientado por IA. Continue a leitura e confira!

O que é plano de carreira?
O plano de carreira é uma estratégia corporativa que desenha qual será o desenvolvimento profissional de um colaborador ou colaboradora ao longo de sua jornada.
Para isso, é importante contar com um plano de cargos e salários, transparecendo tanto as funções de cada função quanto os requisitos necessários para avançar na carreira.
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Em conjunto com o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), um guia de carreiras contribui para estimular uma cultura de aprendizado forte nas organizações e o desenvolvimento de Soft Skills e Hard Skills. Afinal, embora cada pessoa seja protagonista de seu aprendizado, as empresas podem contribuir como guia nesse processo.
Plano de carreira em TI
Para o setor de tecnologia da informação, o plano de carreira é também um fator de atração de talentos. Ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento interno, também mostra às pessoas que a empresa se preocupa com essa jornada.
Ou seja, a criação dos planos de carreiras mostra para as equipes que, mais do que somente ganhar um salário, as pessoas vão adquirir mais experiência e serão reconhecidas por seus feitos.
Quando falamos de Employer Branding, ressaltamos que as pessoas colaboradoras estão em busca de uma nova experiência de trabalho, mais significativa e que se encaixe em seus propósitos e vidas pessoais.
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Plano de carreira: exemplos
Como exemplo de plano de carreira profissional, listamos abaixo alguns dos cargos mais comuns na área de TI:
- Pessoa desenvolvedora de software: júnior, pleno, sênior, arquiteta de software e gerente de engenharia de software.
- Pessoa engenheira de dados: júnior, pleno, sênior, arquiteta de dados e gerente de engenharia de dados.
- Pessoa cientista de dados: júnior, pleno, sênior, arquiteta de ciência de dados e gerente de ciência de dados.
- Pessoa DevOps: júnior, pleno, sênior, arquiteta de DevOps e gerente de DevOps.
- Pessoa especialista em segurança da informação: júnior, pleno, sênior, arquiteta de segurança da informação e gerente de segurança da informação.
Para além das trajetórias de liderança executiva, como as de CIO e CTO — fundamentadas em estruturas hierárquicas verticais —, o setor de tecnologia oferece modelos de progressão alternativos.
Essas opções podem ser mais adequadas para empresas que buscam um ambiente de trabalho mais horizontal e colaborativo. Veja alguns exemplos a seguir:
- Plano de carreira baseado em competências: se concentra nas habilidades e competências que as pessoas colaboradoras possuem, em vez de seus títulos ou cargos. Cada membro da equipe pode progredir em sua carreira adquirindo novas habilidades e se tornando mais proficientes em sua área de atuação.
- Plano de carreira baseado em projetos: prioriza os projetos nos quais os colaboradores e colaboradoras trabalham. As pessoas podem progredir em suas carreiras assumindo atividades mais complexas e desafiadoras.
- Plano de carreira baseado em aprendizagem contínua: foca no compromisso das pessoas colaboradoras com o aprendizado contínuo. Elas podem progredir em suas carreiras participando de cursos, workshops e conferências, e se mantendo atualizadas sobre as últimas tendências em TI.
- Plano de carreira baseado em inovação: se concentra na capacidade dos colaboradores e colaboradoras de inovar e criar soluções disruptivas. As pessoas podem progredir em suas carreiras desenvolvendo novos produtos, serviços ou processos.
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Qual a importância de um plano de carreira em TI?
Um plano de carreira é importante para profissionais de todas as áreas. Entretanto, na área de tecnologia, ele é fundamental para manter os talentos relevantes no mercado em constante mudança.
Dessa forma, em resumo, ele contribui para:
- Fornecer uma estrutura para o crescimento e desenvolvimento profissional.
- Ajudar a identificar habilidades e competências necessárias para atingir objetivos de carreira.
- Permitir que profissionais se mantenham por dentro das últimas tendências em TI e possam se preparar para o futuro.
- Aumentar as chances de promoção e progressão na carreira.
- Ajudar a manter as equipes motivadas e engajadas.
Como funciona o plano de carreira
Um plano de carreira compõe a estratégia de como cada pessoa se desenvolverá em sua jornada corporativa. Para isso, é importante que as empresas disponham de planos de cargos e salários, ou seja, um mapeamento de como deve ser o caminho (vertical e horizontal).
Nem sempre o desenvolvimento é somente uma linha vertical, no crescimento padrão em uma mesma área. Cada vez mais a transição de carreira é algo comum e, inclusive, incentivado.
A mobilidade e o recrutamento interno abrem portas para a revelação de novos talentos e aumenta as chances de fidelizar colaboradores e colaboradoras de alta performance, mesmo diante das mudanças em suas aspirações profissionais.
E na área de tecnologia, que enfrenta desafios em etapas de recrutamento e seleção e de turnover, ela pode ser uma ótima saída. Por isso, o plano de cargos também deve prever como se dará a migração entre áreas.
Exemplo de plano de carreira profissional
O plano de carreira deve determinar questões como:
- Como ficarão os salários?
- Como será o desenvolvimento?
- A pessoa passará por algum tipo de treinamento corporativo?
- Como será a avaliação de competências para autorizar a transição?
No caso, por exemplo, de profissionais que desejam migrar para a carreira de dev, a empresa pode prever e promover capacitações nas linguagens de programação mais usadas pelo time, entre outros assuntos, como o letramento em IA.
Em seguida, as lideranças devem dialogar com seus liderados e suas lideradas para manter a transparência e garantir que esses itens se conectem aos planos de desenvolvimento individual.
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Qual o principal objetivo do plano de carreira?
O principal objetivo do plano de carreira é orientar as pessoas sobre os caminhos de crescimento, mas, sob a ótica do DHO, ele funciona como o alicerce para a gestão de carreira e sucessão.
No entanto, ele também é uma importante ferramenta de engajamento no trabalho, sobretudo diante das mudanças enfrentadas na atualidade.
Do ponto de vista do recrutamento e seleção, os planos de carreira oferecem transparência para candidatos e candidatas.
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Quais são os tipos de planos de carreira?
Essa mudança de experiência na jornada profissional também se reflete na elaboração de novos tipos de plano de carreira, para aumentar o interesse e o engajamento de colaboradores e colaboradoras.
O modelo de plano de carreira tradicional, em linha, dá lugar para opções que considerem novas formas de atuação e aprendizado, inclusive reforçando a migração de área.
Segundo Luísa Aguirra, Human Resources Manager no Grupo Alura:
"O plano de carreira em escadinha era algo que fazia sentido na organização do mercado de antigamente, onde as mudanças demoravam para acontecer e as pessoas eram vistas como recursos, de forma mais mecânica, com um trabalho específico para ser feito, sem margem para criatividade ou inovação.
Hoje em dia, as mudanças acontecem muito rápido e algo que faz sentido hoje pode não ter relevância nenhuma no próximo ano. Por isso, o desenvolvimento constante é extremamente valioso para se manter relevante nas novas oportunidades que vão surgindo. Mais importante do que quanto você sabe hoje é o seu potencial para aprender coisas novas. Olhando pro mundo tech, não tem como uma pessoa saber todas as linguagens, mas se ela precisar trabalhar com uma específica, ela consegue aprender rápido? Então ela será uma ótima profissional!"
O aspecto multidisciplinar, a formação em T de que falamos bastante, e o desenvolvimento contínuo (Lifelong Learning), dialogam, assim, com carreiras mais fluídas e menos limitadas ao sentido somente vertical.
Veja, a seguir, os tipos mais comuns de plano de desenvolvimento profissional:
1. Plano de carreira horizontal
O plano de carreira horizontal é comum em empresas que não possuem hierarquia de funções. Mas, apesar de não trabalhar com o crescimento vertical, isto não significa a falta de reconhecimento profissional de colaboradores e colaboradoras.
O reconhecimento contínuo, por exemplo, pode ser realizado por meio de mudanças salariais e adição de benefícios, conforme o desempenho da pessoa.
2. Plano de carreira em linha
O plano de carreira em linha, bastante comum em instituições militares, por exemplo, possui cargos hierárquicos mais fechados e estruturados. Normalmente, o avanço nessa jornada se dá pelo tempo de exercício da função, embora possa haver outros critérios.
3. Plano de carreira paralela
Em empresas com plano de carreira paralela, os cargos de liderança, por exemplo, não são necessariamente um avanço em hierarquia que parte de outra função. Pelo contrário, possuem uma carreira paralela já direcionada à gestão, o que é bastante comum quando se atua com trainees.
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4. Plano de carreira em Y
O plano de carreira em Y apresenta uma bifurcação a partir da aquisição de senioridade. Assim, ao invés de colocar cargos de gestão como o fim de cada carreira, ele possibilita que as pessoas sigam também o caminho de especialistas em sua área.
O ponto positivo do plano de carreira em Y, e a razão pela qual vem conquistando empresas do setor tech, é que ele motiva o desenvolvimento de pessoas que, muitas vezes, não possuem características ou desejo de seguir com a gestão de times de TI, ou outros setores. Portanto, permite o crescimento independentemente do perfil da pessoa.
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5. Plano de carreira em W
As empresas buscam cada vez mais por profissionais multidisciplinares. Mas há uma forma de reconhecer também tais pessoas sem que elas tenham que seguir sua carreira no formato em linha ou em Y.
O plano de carreira em W acrescenta um novo caminho. Além da liderança e da especialidade, na carreira em Y a pessoa também pode seguir o caminho da gestão de projetos — ou seja, poderá atuar como uma consultora técnica.
6. Plano de carreira em rede
O plano de carreira em rede, por fim, abre ainda mais o leque. Neste caso, há uma gama de funções que a pessoa pode escolher seguir, para além dos 3 caminhos do plano de carreira em W.
Sua estrutura prioriza a mobilidade interna baseada em competências, permitindo que cada profissional transite entre diferentes áreas e projetos conforme as demandas da organização e suas competências pessoais.
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Qual é o cenário do setor de TI atualmente no Brasil?
Segundo o relatório “Perspectivas do Mercado de Trabalho 2025” da Brasscom, o país apresenta hoje uma ruptura de 30,2% entre a demanda e a oferta de profissionais de tecnologia. No último levantamento, o Brasil formou 105.706 estudantes (somando ensino superior e técnico federal), enquanto a demanda por pessoas no mesmo período foi de 665.403 vagas.
Este cenário de escassez é acentuado pela integração da Inteligência Artificial. De acordo o relatório: “Mercado de Trabalho no Brasil 2026”, da Gupy, a qualificação nessas novas tecnologias tornou-se um pré-requisito de sobrevivência, especialmente para minimizar a alta rotatividade do setor, que enfrenta um turnover médio de 56%.
Mas, apesar desse “gap” de talentos, o Brasil inicia 2026 liderando o otimismo global de contratações. A “Pesquisa de Expectativa de Emprego do ManpowerGroup (Q1 2026)” revela que o país detém a maior Expectativa de Emprego em Tecnologia e Serviços de TI (58%) entre todos os mercados analisados mundialmente.
Para as empresas, esse cenário exige um investimento massivo em estratégias de reskilling e fidelização, garantindo que suas equipes consigam operar em plataformas de desenvolvimento nativas em IA.
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Qual o papel da IA em um plano de carreira tech?
Em 2026, a capacitação em IA deixou de ser um diferencial para se tornar o eixo central da alfabetização tecnológica. Para sustentar o crescimento organizacional, as empresas, além de prepararem seus times para usar ferramentas, integram a Inteligência Artificial como uma habilidade em todos os níveis de senioridade.
Este cenário exige que o plano de carreira em TI seja estruturado em torno de competências híbridas. Conforme o levantamento da Brasscom, profissões como Especialista em AI e Machine Learning e Analista e Cientista de Dados figuram no topo das mais procuradas no mercado brasileiro, exigindo uma combinação de Hard Skills e Soft Skills analíticas.
Nesse contexto, a integração da IA ao plano de carreira ocorre por meio do desenvolvimento de:
- Pensamento analítico e criativo: habilidades fundamentais que, somadas à tecnologia, potencializam a resolução de problemas complexos.
- Curiosidade e lifelong learning: a mentalidade de aprendizado contínuo é o que garante que profissionais se mantenham relevantes frente à velocidade das atualizações tecnológicas.
- Alfabetização tecnológica e IA: a capacidade de operar com Inteligência Artificial e Big Data é uma competência essencial para o desenvolvimento profissional no cenário atual.
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Como montar um plano de carreira de TI
Agora que você já sabe para que serve o plano de carreira, chegou o momento de entender como elaborar um, além de entender como ele depende de fatores como as metas da empresa e a própria cultura organizacional. Mas, atenção: é preciso escolher um plano promissor que possa ser colocado em prática.
Muitas empresas tradicionais apostam em modelos que parecem mais modernos (em Y ou em W), mas não conseguem modificar uma cultura ainda movida pela hierarquia rígida.
Essa desconexão entre a experiência prometida e a entregue acaba frustrando os talentos, impactando nas taxas de turnover e prejudicando o Employer Branding da marca.
Passo a passo para uma estruturação eficiente
Para elaborar um plano de carreira de forma técnica e orientada a dados, é preciso seguir algumas etapas fundamentais:
- 1. Avaliar as metas e a cultura: alinhar o plano aos objetivos de longo prazo do negócio.
- 2. Mapear o quadro: fazer um levantamento de cargos, funções e a quantidade de profissionais por área.
- 3. Identificar competências: definir as Soft Skills e Hard Skills necessárias para cada nível hierárquico.
- 4. Criar a estrutura de progressão: desenhar caminhos verticais e horizontais de crescimento.
- 5. Implementar avaliações transparentes: estabelecer processos de avaliação de desempenho e plano de carreira claros, justos e personalizados para cada membro da equipe.
- 6. Fomentar o reconhecimento: criar uma cultura de recompensa baseada em performance e mérito.
- 7. Utilizar o PDI: implementar o PDI para o acompanhamento do plano de carreira individual.
- 8. Manter a atualização: revisar o plano conforme as mudanças constantes do mercado tech.
- 9. Oferecer capacitação estruturada: disponibilizar trilhas de treinamento e desenvolvimento. No ecossistema da Alura, por exemplo, agora é possível utilizar as Carreiras: jornadas de aprendizado focadas no mercado que guiam as pessoas desde os fundamentos até a atuação profissional em áreas como IA, Dados e Negócios.
- 10. Cultura de feedback: manter canais abertos para alinhar expectativas entre os objetivos da organização e as aspirações das pessoas colaboradoras, por meio de feedbacks contínuos, é o que garante a longevidade do plano de carreira.
Essa mudança de paradigma, que prioriza o impacto real sobre o cargo formal, é reforçada por Luísa Aguirra, especialista de RH na Alura:
"Mais importante do que o cargo que você tem é poder falar de tudo o que você já fez ou construiu. As habilidades e o impacto que as pessoas conseguem ter onde trabalham são muito mais relevantes do que o cargo que possuem."
Por fim, apostar no crescimento é oferecer uma experiência de valor. Quando a empresa reconhece e estimula o desenvolvimento, ela fideliza seus times e cresce com eles.
Então, lembre-se que, na hora de montar um plano de carreira profissional, é importante considerar 4 etapas: conhecer os objetivos pessoais e traçar metas; pesquisar as qualificações necessárias; tomar uma decisão embasada; e agir.
E para desenvolver seu time com as competências necessárias e construir um plano de carreira sólido, você pode contar com a Alura + FIAP para Empresas. Nossas soluções de educação corporativa oferecem uma jornada completa, com formações e treinamentos, atualizados e personalizados para o seu negócio.
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