"O gargalo hoje é treinamento e acesso a ferramentas de ponta", diz Luiz Felipe Couto, embaixador da Anthropic no Brasil

Fabrício Carraro
Fabrício Carraro

Compartilhe

Avalie este artigo

4 minutos de leitura

Luiz Felipe Couto vive a adoção de IA no chão de fábrica das empresas brasileiras. É fundador da PixFly, academia de IA para empresas, e Embaixador oficial da Anthropic no Brasil.

Empreendedor com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software, foi cofundador da Vindi, fintech de pagamentos recorrentes, e da WallJobs, plataforma de recrutamento operada com agentes de IA em produção.

Hoje conduz workshops e programas de adoção de IA para empresas como Banco Itaú, Aura Minerals e SA Paulista, com foco em Coding Agents e Work Agents para o mercado corporativo.

Em conversa com Fabrício Carraro, curador do IA Conference Brasil, Program Manager na Alura e autor do livro "IA Generativa" pela Casa do Código, Luiz Felipe detalha o padrão comportamental que separa times de alta performance com agentes, explica a transição do RAG tradicional para memória em arquivos e defende que dominar o próprio harness é o próximo passo de maturidade para empresas que não querem depender de um único fornecedor.

A partir dos workshops e da comunidade de Claude Code que você acompanha, que padrão você percebe nos times que realmente obtêm ganhos grandes de produtividade com agentes em contraste com aqueles que apenas passam a gerar mais código, consumir mais tokens e aumentar a complexidade?

Primeiramente, diria acesso a sistemas agênticos e LLMs de ponta, e conhecimento profundo de sistemas agênticos. Mas isso sozinho não basta: também entra contexto sobre o negócio, experiência e know-how nos processos da empresa, pró-atividade, persistência e curiosidade.

É uma mistura de conhecimento de negócio, técnico e também uma questão comportamental.

Você dá workshop de RAG. Com contexto longo e busca agêntica, RAG está morrendo ou só mudando de forma? O que você ensina hoje que não ensinava há um ano?

Já demos o workshop de RAG no passado, mas no contexto de sistemas agênticos (harness) e da simplicidade da camada de memória em arquivos Markdown / file system, vemos uma transição para algo mais minimalista e, ao mesmo tempo, muito robusto, com total flexibilidade e observabilidade.

Hoje ensinamos exatamente isso: que o que importa no final do dia é o contexto e o harness.

Se agentes conseguem escrever código, testar, refatorar, investigar bugs e executar partes cada vez maiores de uma tarefa, quais habilidades passam a diferenciar um engenheiro sênior ou tech lead nos próximos anos?

Conhecimento de negócio, de processos, de pessoas e de relacionamento humano. É ampliar as capacidades de analista de negócio, se aproximando mais do usuário final e do stakeholder, e ao mesmo tempo manter um conhecimento profundo de LLMs, sistemas agênticos e todo o ecossistema de IA atual.

O mercado de coding agents está mudando em uma velocidade enorme. Como você desenharia hoje uma arquitetura que aproveite recursos específicos de ferramentas como Claude Code sem deixar toda a capacidade de desenvolvimento da empresa presa a um único modelo ou fornecedor?

Criaria um harness próprio, multi-harness e multi-modelo, a versão da empresa de um Claude Code, Codex ou OpenCode customizado, integrada a essas ferramentas através do conceito de fábrica de software.

Assim, a empresa fica dona do harness, do contexto e, no futuro, de um modelo customizado.

Nos próximos 12 meses, o que você quer ver acontecer na comunidade brasileira de IA e qual é hoje o maior gargalo de adoção dentro das empresas daqui?

Quero ver uma participação mais ativa na comunidade internacional de IA e tecnologia.

Do ponto de vista da PixFly, o maior gargalo hoje, sem sombra de dúvidas, é treinamento, know-how e acesso a modelos e ferramentas agênticas de ponta.

Luiz Felipe Couto | IA Conference Brasil 2026

Se você quiser continuar essa conversa ao vivo, Luiz Felipe é um dos palestrantes do IA Conference Brasil, o maior evento de IA e tecnologia do país, realizado pela Alura.

Dia 24 de setembro de 2026, no Frei Caneca, em São Paulo, você tem a chance de se conectar com quem está construindo a próxima era da IA no Brasil.

A terceira e maior edição do evento vai reunir mais de 1.300 profissionais, +50 conteúdos exclusivos e palcos simultâneos pensados para quem quer sair de lá entendendo o que realmente importa entre tantas novidades que surgem no mercado.

Ainda dá tempo de garantir seu lugar na maior edição da história do evento. Nos encontramos lá?

IA Conference 2025

Avalie este artigo

Fabrício Carraro
Fabrício Carraro

Fabrício Carraro é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP e pós-graduado em Data Analytics & Machine Learning pela FIAP. Atualmente, mora na Espanha.

Veja outros artigos sobre Alura Labs

Estude 2 anos por R$ 158/mês. Planos com até 35% OFF. Ver planos.