"O gargalo hoje é treinamento e acesso a ferramentas de ponta", diz Luiz Felipe Couto, embaixador da Anthropic no Brasil

Luiz Felipe Couto vive a adoção de IA no chão de fábrica das empresas brasileiras. É fundador da PixFly, academia de IA para empresas, e Embaixador oficial da Anthropic no Brasil.
Empreendedor com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software, foi cofundador da Vindi, fintech de pagamentos recorrentes, e da WallJobs, plataforma de recrutamento operada com agentes de IA em produção.
Hoje conduz workshops e programas de adoção de IA para empresas como Banco Itaú, Aura Minerals e SA Paulista, com foco em Coding Agents e Work Agents para o mercado corporativo.
Em conversa com Fabrício Carraro, curador do IA Conference Brasil, Program Manager na Alura e autor do livro "IA Generativa" pela Casa do Código, Luiz Felipe detalha o padrão comportamental que separa times de alta performance com agentes, explica a transição do RAG tradicional para memória em arquivos e defende que dominar o próprio harness é o próximo passo de maturidade para empresas que não querem depender de um único fornecedor.
A partir dos workshops e da comunidade de Claude Code que você acompanha, que padrão você percebe nos times que realmente obtêm ganhos grandes de produtividade com agentes em contraste com aqueles que apenas passam a gerar mais código, consumir mais tokens e aumentar a complexidade?
Primeiramente, diria acesso a sistemas agênticos e LLMs de ponta, e conhecimento profundo de sistemas agênticos. Mas isso sozinho não basta: também entra contexto sobre o negócio, experiência e know-how nos processos da empresa, pró-atividade, persistência e curiosidade.
É uma mistura de conhecimento de negócio, técnico e também uma questão comportamental.
Você dá workshop de RAG. Com contexto longo e busca agêntica, RAG está morrendo ou só mudando de forma? O que você ensina hoje que não ensinava há um ano?
Já demos o workshop de RAG no passado, mas no contexto de sistemas agênticos (harness) e da simplicidade da camada de memória em arquivos Markdown / file system, vemos uma transição para algo mais minimalista e, ao mesmo tempo, muito robusto, com total flexibilidade e observabilidade.
Hoje ensinamos exatamente isso: que o que importa no final do dia é o contexto e o harness.
Se agentes conseguem escrever código, testar, refatorar, investigar bugs e executar partes cada vez maiores de uma tarefa, quais habilidades passam a diferenciar um engenheiro sênior ou tech lead nos próximos anos?
Conhecimento de negócio, de processos, de pessoas e de relacionamento humano. É ampliar as capacidades de analista de negócio, se aproximando mais do usuário final e do stakeholder, e ao mesmo tempo manter um conhecimento profundo de LLMs, sistemas agênticos e todo o ecossistema de IA atual.
O mercado de coding agents está mudando em uma velocidade enorme. Como você desenharia hoje uma arquitetura que aproveite recursos específicos de ferramentas como Claude Code sem deixar toda a capacidade de desenvolvimento da empresa presa a um único modelo ou fornecedor?
Criaria um harness próprio, multi-harness e multi-modelo, a versão da empresa de um Claude Code, Codex ou OpenCode customizado, integrada a essas ferramentas através do conceito de fábrica de software.
Assim, a empresa fica dona do harness, do contexto e, no futuro, de um modelo customizado.
Nos próximos 12 meses, o que você quer ver acontecer na comunidade brasileira de IA e qual é hoje o maior gargalo de adoção dentro das empresas daqui?
Quero ver uma participação mais ativa na comunidade internacional de IA e tecnologia.
Do ponto de vista da PixFly, o maior gargalo hoje, sem sombra de dúvidas, é treinamento, know-how e acesso a modelos e ferramentas agênticas de ponta.
Luiz Felipe Couto | IA Conference Brasil 2026
Se você quiser continuar essa conversa ao vivo, Luiz Felipe é um dos palestrantes do IA Conference Brasil, o maior evento de IA e tecnologia do país, realizado pela Alura.

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